Viver ou existir? O conflito diário para obter uma vida completa

Todos os dias parecem sempre iguais, com a mesma rotina, a mesma vida, as mesmas preocupações. Filhos, casa, companheiro(a), trabalho, tarefas e compromissos. Talvez você já tenha se dado conta desse looping – indagando sobre a diferença entre viver ou existir – talvez não!

A angústia existencial faz parte do ser humano e não é, em absoluto, uma doença ou mesmo um desequilíbrio. É apenas uma condição humana.

Identificando a sobrevivência… viver ou existir?

Sobreviver está relacionado ao constante estresse pelo qual todos nós passamos, em alguns momentos mais do que outros. Tudo para ter nossas necessidades básicas atendidas.

Em outras palavras, para sobreviver.

Às vezes, até conseguimos sair dessa condição de sobrevivência a nível físico ao conseguir ganhar para o sustento, preservar a saúde e consumir o básico.

Mas nem sempre conseguimos superar essa condição a nível psíquico – alimentando emoções saudáveis, sentimentos construtivos e sentindo que temos um propósito de vida que nos leva adiante com coragem.

Então, pode ser que você esteja se submetendo a alguma situação estressante, de forma desnecessária e automática. Talvez simplesmente porque se acostumou a isso e acha que é assim mesmo. Resignar-se é bem diferente de aceitar!

Viver é a condição plena, satisfatória, sem ter que se preocupar com as necessidades básicas da vida; é o momento de paz, em que você faz aquilo que gosta mais vezes e aproveita as pequenas coisas de uma forma espontânea e natural.

É fácil? Não, principalmente porque a sobrevivência é ainda mais difícil depois da pandemia. Vivemos mais de dois anos sem saber para onde caminhávamos, o que nos esperava além, as chances que teríamos.

Hoje as atenções estão voltadas para o que é necessário para viver ou existir – trabalhar ganhar um salário, comer, pagar contas, evitar a Covid – e nem há tempo para sequer pensar sobre o que realmente significa viver ou existir em consciência plena, com angústia, sim, porque faz parte, mas com satisfação e alegria.

Nesse momento você pode estar se perguntando: “Uau! como faço para viver de fato?” Ou até estar pensando: “Ah, mas essa vida que tenho, é até boa, está ok!”

O que trouxe você até aqui não vai levá-lo adiante

O primeiro ponto é entender que o que trouxe você até aqui, não vai levá-lo adiante, com certeza, porque o mundo muda a cada momento.

Mais que isso, você tem um cérebro que em muitos momentos vai sabotar suas mudanças e progressos, fazendo de tudo para que permaneça onde está. Nesse momento, você deve se questionar sobre viver ou existir.

Não é por mal que seu cérebro faz isso! É porque ele está pronto a proteger você de situações novas, que envolvam algum risco. Mesmo que saiba, racionalmente, que não há perigo.

A mudança, ainda que voltada para o crescimento, é entendida pelo cérebro como um fator de risco. Mudar às vezes dói, ok? É natural proteger-se da dor!

O segundo ponto a considerar é que necessariamente por trás da mudança há um processo de Autoconhecimento, que inclui uma análise profunda de si mesmo, de seus medos, suas crenças, sua história. Não tem como fugir disso.

Qualquer tentativa de fuga, no final, será exaustiva. Em algum momento sua vida se apresentará lá, diante de seus olhos, com tudo que deixou de olhar.

Fugir de si mesmo é complicado, porque aonde quer que vá você estará lá, agindo, observando, vivendo, com tudo que faz parte dessa aventura que é a vida. De modo que os problemas lhe farão companhia onde quer que esteja.

Em alguns momentos você pode até acreditar que algumas questões já foram resolvidas, estão superadas e integradas. Não, necessariamente, estão… podem ter sido escondidas no subconsciente até o momento em que emergem novamente, começando um novo ciclo de dor e letargia.

Se quiser realmente resolver o que o aflige e incomoda, você terá que retomar alguns pontos, revisitar alguns lugares que pareciam esquecidos – mas só pareciam – pois ainda há neles alguma parte que não foi tocada.

Encontrando seu caminho

Há muitas maneiras de encontrar seu caminho de Autoconhecimento e cura para viver sua vida plenamente e o processo de Psicanálise é uma delas.

Estar disponível é o pré-requisito mais importante: disponível internamente para passar pelo processo, sabendo que pode doer, e que perdas não estão descartadas.

Mas a partir do momento em que se propõe a olhar de frente, a vida assume naturalmente a direção e conduz você para o caminho de “viver a vida”, com tudo que isso significa.

Quando você olhar no espelho e pensar na questão viver ou existir. Então, sim, poderá dizer que está vivendo, e não só existindo.

Jéssica Dias é Psicanalista e aborda, no processo terapêutico, as causas dos desconfortos que levam à depressão, ansiedade, fobias, pânico, insônia, comportamentos autodestrutivos e insatisfação com a vida, entre outros transtornos. É formada em Psicopedagogia, Psicanálise e Constelação Familiar Sistêmica. Conheça mais sobre seu trabalho.